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INHABITING SCENERY

  • Foto do escritor: Fernando Salgado
    Fernando Salgado
  • 15 de fev. de 2024
  • 4 min de leitura


Na última publicação afirmei que a arquitetura é mais sobre as ideias que estão por detrás dos edifícios do que propriamente sobre os edifícios em si. Na presente publicação proponho um pequeno exercício que pode ilustrar isso mesmo:

Atentemos ao espaço em que nos inserimos neste momento, ou então, pensemos num outro espaço que nos é familiar e está bem presente na nossa mente: as paredes à nossa volta, o chão debaixo dos nossos pés, o teto por cima das nossa cabeças; o material das paredes, as suas cores e texturas; as sensações que a altura do teto provoca na nossa experiência. Tudo aquilo que nós vemos à nossa volta constrói uma imagem completa daquilo que esse espaço efetivamente é.


Mas, será mesmo assim…?


Voltemos a pensar nesse mesmo espaço, mas agora tendo em consideração outras características que nos escapam: a estrutura que o sustenta mexe-se, não é completamente imóvel; o rodapé que percorre o perímetro do chão serve para proteger e dar um acabamento estético à frágil ligação entre a parede e o chão; o soalho não chega a tocar na parede, de forma a ter folga para dilatar e contrair; o teto que está por cima das nossa cabeças, muito provavelmente, é um teto falso, ou seja, aquilo que observamos acima é uma placa de gesso que serve apenas para tapar um vazio por onde passam vigas, condutas, tubagens e fios de eletricidade; aquilo que parece ser um pilar pode, muito bem, ser uma corete onde as tubagens deste piso se encontram com as tubagens dos pisos de baixo; as paredes de tijolo são rebocadas e pintadas a cor clara para dar a sensação de um espaço mais amplo e iluminado, enquanto que uma cor escura provocaria o efeito contrário.

Como podemos ver, tudo isto que foi descrito, não só não corresponde à imagem inicial que temos do espaço, como a contraria. Isto é, certas características foram ocultadas e manipuladas pelo arquiteto de modo a que o espaço seja entendido de uma determinada forma. Isto leva-nos a concluir que, quando nos encontramos num espaço e olhamos à nossa volta, aquilo que estamos a ver não é o espaço tal como ele é, na sua plenitude, mas sim uma composição de representações e ideias desse mesmo espaço. Primeiro, o arquiteto pensa sobre o que é um espaço e o que este deve representar para a sociedade ou para uma pessoa e, depois, “reveste” a construção edificada com um conjunto de imagens e cenários que compõem uma ideia de espaço.

Como é óbvio, o mesmo se aplica aos edifícios no seu todo: quando olhamos para um edifício, não estamos a olhar para aquilo que ele de facto é, mas antes para aquilo que a sociedade acha que ele é ou deve ser.

 

Neste sentido, podemos afirmar que a arquitetura funciona, de certa forma, como a cenografia: compõe imagens e cenários cujo objetivo é transmitir uma ideia ou dar forma a um conceito, mais especificamente, sobre espaços e edifícios, e esperar que as pessoas se revejam nessas mesmas composições.

 



(ENG)



In my last post I said that architecture is more about the ideas behind buildings than the buildings themselves. In this publication, I propose a small exercise that can illustrate just that:

Let's look at the space we're in at the moment, or let's think about another space that is familiar to us and very much on our minds: the walls around us, the floor beneath our feet, the ceiling above our heads; the material of the walls, their colours and textures; the sensations that the height of the ceiling causes in our experience. Everything we see around us builds up a complete image of what that space really is.

 

But is it really like that…?

 

Let's think about that same space again, but now taking into account other characteristics that we miss: the structure that supports it moves, it's not completely immobile; the skirting board that runs along the perimeter of the floor serves to protect and give an aesthetic finish to the fragile connection between the wall and the floor; the floor doesn't even touch the wall, so it has room to expand and contract; the ceiling that is above our heads is most likely a false ceiling, in other words, what we see above is a plasterboard that only serves to cover a void through which beams, ducts, pipes and electricity wires pass; what looks like a pillar could very well be a cornet where the pipes on this floor meet the pipes of the floors below; the brick walls are plastered and painted with a light colour to give the impression of a wider, brighter space, whereas a dark colour would have the opposite effect.

As we can see, all of the above not only doesn't correspond to the initial image we have of the space, it contradicts it. In other words, certain characteristics have been concealed and manipulated by the architect so that the space is understood in a certain way. This leads us to conclude that when we find ourselves in a space and look around, what we are seeing is not the space as it is, in its entirety, but rather a composition of representations and ideas of that same space. Firstly, the architect thinks about what a space is and what it should represent for society or a person, and then "coats" the built construction with a set of images and scenarios that make up an idea of space.

Of course, the same applies to buildings as a whole: when we look at a building, we are not looking at what it actually is, but rather at what society thinks it is or should be.

 

In this sense, we can say that architecture works, in a way, like scenography: it composes images and scenarios whose purpose is to convey an idea or give shape to a concept, more specifically, about spaces and buildings, and hope that people will see themselves in these same compositions.




 

 
 
 

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