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AFTER AI - The future of a past architecture

  • Foto do escritor: Fernando Salgado
    Fernando Salgado
  • 10 de jan. de 2024
  • 6 min de leitura

Atualizado: 11 de jan. de 2024




Numa altura em que a IA (Inteligência Artificial) domina cada vez mais a sociedade e o seu funcionamento, a arquitetura - enquanto disciplina e profissão - terá necessariamente de se questionar e reposicionar perante um fenómeno desta magnitude.

É apenas uma questão de tempo até que a IA reduza o arquiteto a uma figura obsoleta e severamente impotente. Por exemplo, é possível - já hoje - criar instantaneamente um projeto de um edifício habitacional, com apartamentos desenhados de acordo com as especificações dos promotores e que podem ser ajustados segundo diferentes parâmetros como a estrutura, área, luz solar, legislação, materiais, custos, etc. (uma tarefa que um arquiteto demoraria dias ou meses a realizar). É também possível, durante uma reunião, originar inúmeros designs para os espaços desse mesmo projeto, o que permite demonstrar tantas versões quanto o cliente desejar de uma sala, por exemplo.

Numa escala mais ampla, pode-se também antever o impacto que a IA pode vir a ter no desenvolvimento de cidades inteligentes, altamente eficientes e sustentáveis, em que pouco ou nada irá refletir o contributo direto do arquiteto.

Inevitavelmente, emerge uma conclusão verdadeiramente preocupante: a IA não só é capaz de projetar cidades e edifícios tal como o arquiteto, como também é capaz de o fazer com uma velocidade e eficácia que transcendem tudo aquilo que é humanamente possível. Nunca foi tão oportuno e necessário questionar o papel da arquitetura e do arquiteto:


Será o arquiteto mais uma vítima do desenvolvimento implacável do algoritmo? Será este o seu último suspiro? Como será o seu futuro daqui a 50 anos? Será realmente necessária a sua existência? Ou será apenas mais um capítulo do passado histórico da civilização humana?

 

Talvez a morte do arquiteto, tal como o entendemos hoje, não implique o seu total desaparecimento, mas antes uma oportunidade para uma nova vida...


Em Figures of Speech de Virgil Abloh, o arquiteto holandês Rem Koolhaas afirma que:

 

“por muito tempo, essas "fantasias" (da arquitetura) estiveram estritamente focadas em construir. Mas, recentemente, a insuportável irrelevância de tais construções tem oferecido um alibi à arquitetura que lhe permite entrar em territórios para os quais não foi convidada. (…) A arquitetura foi uma das profissões mais imutáveis, mas de alguma forma, uma cadeia de eventos – talvez o neoliberalismo, o capitalismo, mas também os novos media, as redes sociais e o próprio digital – aumentou imenso o potencial alcance da arquitetura. E, portanto, abriu a arquitetura a experiências completamente novas e a renovados potenciais, mas temos feito um trabalho muito pobre em descobrir esse potencial.”



É precisamente neste livro em que Koolhaas faz esta observação que se encontra uma possível resposta. Figures of Speech é uma monografia que complementa uma exposição com o mesmo nome, da autoria de Virgil Abloh – arquiteto e engenheiro, ex-diretor criativo da DONDA, fundador da marca de roupa OFF-WHITE e diretor criativo da Louis Vuitton. Para além disso, ao longo da sua carreira colaborou com o escritório de arquitetura OMA de Rem Koolhaas, foi designer de sapatilhas para a Nike, móveis e acessórios de decoração para o IKEA e ainda de uma versão de corrida de um Mercedes Benz G-Wagon. Colaborou, também, com artistas como Kanye West e Jay-Z, sendo responsável pelo design das capas dos álbuns que viriam a tornar-se icónicas no mundo da música.

Segundo Abloh, Figures of Speech tinha um propósito muito claro: reivindicar o seu ADN enquanto arquiteto e reclamar uma arquitetura tão vasta e abrangível que pisa os mesmos territórios de muitas outras áreas criativas da sociedade. De facto, todos os projetos em que Abloh esteve envolvido colocaram em causa os limites da arquitetura enquanto disciplina e questionaram “O que significa, afinal, ser arquiteto?”, ao mesmo tempo que se afastavam cada vez mais do edifício e da construção.

Apesar de pessoalmente não considerar que Abloh praticou efetivamente arquitetura (entendo-o mais como uma espécie de artista Renascentista da contemporaneidade que aplicou processos e métodos arquitetónicos em várias áreas do design), devo reconhecer que o seu trabalho aponta para uma evolução da disciplina. Isto é, perante a ameaça da IA relativa à autoria dos projetos e dos edifícios, o trabalho de Abloh vislumbra aquela que eu considero ser uma oportunidade perfeita para os arquitetos concentrarem os seus esforços na verdadeira essência da arquitetura – uma disciplina crítica e reflexiva que explora as ideias e conceitos que estão por detrás de todas as construções relevantes para a sociedade.

O futuro é incerto e as consequências efetivas deste fenómeno ainda estão por descobrir, mas a IA veio para ficar. Mais que nunca, os arquitetos devem parar, não para projetar edifícios, mas para projetar o futuro da disciplina e da própria profissão.



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At a time when AI (Artificial Intelligence) is increasingly dominating society and the way it functions, architecture - as a discipline and a profession - will necessarily have to question and reposition itself in the face of a phenomenon of this magnitude.

It is only a matter of time before AI reduces the architect to an obsolete and severely powerless figure. For example, it is possible - even today - to instantly create a project for a residential building, with apartments designed according to the developers' specifications and which can be adjusted according to different parameters such as structure, area, sunlight, legislation, materials, costs, etc. (a task that would take an architect days or months to complete). It is also possible, during a meeting, to come up with numerous designs for the spaces of the same project, which allows you to demonstrate as many versions of a room as the client wants, for example.

On a broader scale, one can also foresee the impact that AI may have on the development of smart, highly efficient and sustainable cities, in which little or nothing will reflect the direct contribution of the architect.

Inevitably, a truly worrying conclusion emerges: AI is not only capable of designing cities and buildings just like the architect, but it is also capable of doing so with a speed and efficiency that transcends anything humanly possible. It has never been more timely and necessary to question the role of architecture and the architect:


Will the architect be another victim of the relentless development of the algorithm? Will this be his last breath? What will their future be like in 50 years' time? Is their existence really necessary? Or will it be just another chapter in the historical past of human civilization?

 

Maybe the death of the architect, as we understand it today, does not imply his total disappearance, but rather an opportunity for a new life...

 

In Figures of Speech by Virgil Abloh, the dutch architect Rem Koolhaas states that:

 

"For a long time, those "fantasies" (of architecture) have been strictly focused on building. But recently, the irritating irrelevance of much constructions has given architecture an alibi to enter territories to which it has not been invited. (...) Architecture used to be one of the most immutable of professions, but somehow a chain of events - maybe neoliberalism, capitalism, but also new media, social media and the digital itself - have vastly increased the potential scope of architecture. And therefore openeded architecture completely to new experiences and new potentials, and we have been doing actually a very poor job in discovering those."

 


It is precisely in this book in which Koolhaas makes this observation that we find a possible answer. Figures of Speech is a monograph that complements an exhibition of the same name by Virgil Abloh - architect and engineer, former creative director of DONDA, founder of the OFF-WHITE clothing brand and creative director of Louis Vuitton. Throughout his career, he has also collaborated with Rem Koolhaas' OMA architecture firm, designed sneakers for Nike, furniture and decorative accessories for IKEA and a racing version of a Mercedes Benz G-Wagon. He also collaborated with artists such as Kanye West and Jay-Zby being responsible for designing the album covers that would become iconic in the music world.

According to Abloh, Figures of Speech had a very clear purpose: to reclaim his DNA as an architect and claim an architecture so vast and encompassing that it treads the same territory as many other creative areas of society. In fact, all the projects Abloh has been involved in have questioned the limits of architecture as a discipline and asked "What does it mean to be an architect anyway?", while at the same time moving further and further away from building and construction.

Although I don't personally consider Abloh to have actually practiced architecture (I see him more as a kind of contemporary Renaissance artist who has applied architectural processes and methods to various aspects of design), I must acknowledge that his work points to an evolution of the discipline. In other words, in the face of the threat of AI regarding the authorship of projects and buildings, Abloh's work provides what I consider to be a perfect opportunity for architects to focus their efforts on the true essence of architecture - a critical and reflective discipline that explores the ideas and concepts behind all constructions that are relevant to society.

The future is uncertain and the actual consequences of this phenomenon are yet to be discovered, but AI is here to stay. More than ever, architects must stop, not to design buildings, but to design the future of the discipline and the profession itself.





 
 
 

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